sábado, 6 de agosto de 2016

Jovem adulta


É 2016, 6 anos passaram depressa, muita coisa mudou, se transformou, se desfez. A jovem adulta tem pensado bastante em como as coisas costumavam ser, quando era ainda jovem adolescente, e se surpreendeu ao perceber que naquela época, quando tudo parecia tão frágil e triste, foi a época mais protegida  até o momento.
Tinha planos, e viveu por esses planos. Embora tenha desistido de seguir em frente por diversas vezes, acabou seguindo seu caminho, não como planejou, mas de alguma forma as coisas estão acontecendo. Entretanto se sente fraca, cansada. Tem passado muito tempo refletindo, chegando à conclusão de que viveu por algo que hoje a despedaça por dentro, dia após dia.
Perdeu muito ao longo do caminho, sofreu decepções e viveu de frustrações, passou de jovem adolescente problemática para jovem adulta perdida.
Muitas noites sem dormir levam a comparações entre o tipo de tristeza que sentia naquele tempo e o que vem sentindo agora, quando tudo deveria ter se encaixado e o passado ficado para trás. A jovem adolescentre costumava ser uma chama ardente, uma força voraz que vinha de dentro para fora, querendo ser livre, querendo se sentir viva não importava como, sangrava por isso...
Agora é como uma brasa apagando aos poucos, deseperançosa, cansada demais para lutar.

E é desesperador.
Ela não sabe o que fazer, como fazer, por onde começar...

Tudo o que sabe é que a chama se foi, e que com ela, foram-se todos os planos pelos quais viveu até agora.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Tudo de novo


Estive um tempo afastada das palavras, do meu refúgio secreto onde poucos podem me encontrar, onde me sinto segura para sair da casca. Gosto de pensar em mim mesma como um artista cujas melhores e mais profundas obras surgem dos momentos mais escuros e pesados, por isso abandonei as palavras, porque meus inspiradores momentos de angústia haviam finalmente me dado uma trégua, mas parece que acabou.
Durante esse tempo estive numa maré tranquila, parecia que a minha vida havia encontrado um rumo agradável. Canalizei todas as minhas energias para alcançar objetivos novos, saudáveis e produtivos, estive me empenhando, me sufocando de tarefas e meios para chegar ao almejado sucesso em todas as atividades que estive impondo a mim mesma. Mas há algum tempo sinto uma brecha se abrindo na minha armadura de dedicação, me enterrar em textos, trabalhos e estudos não tem sido suficiente para amenizar a ação dessa onda de velha angústia que costumava me atormentar, e isso já vem acontecendo faz tempo, eu que levei mais tempo que o esperado para perceber...
Quando você faz aniversário as pessoas costumam dizer que deve-se aproveitar muito a cada ano, porque só se faz 5 ou 25 anos uma vez na vida. Bom, atualmente me peguei pensando que isso somente é válido se você levar apenas o tempo em consideração, porque fazer 19 anos, para mim, foi como fazer 14 novamente. Todos os demônios daquela idade retornaram para me torturar de novo, e mesmo tempo passado por tudo com um êxito inesperado, não sei como lidar com essa situação novamente. Não sei se foi tempo suficiente para recolher cada pedaço de mim e remontar uma pessoa capaz de aguentar todo aquele peso de novo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Querida Melhor Amiga


Quase dois anos atrás você estava partindo, se mudando para longe de mim, você partiu no meu momento mais frágil, num dos momentos em que mais precisei de você. Mil coisas passaram-se pela minha cabeça, achei que aquele fosse o fim de nossa tão preciosa amizade, achei que te perderia para sempre a partir do momento em que você saísse do município, mas não aconteceu de imediato.
Foi tão bom saber que, mesmo de longe, eu ainda tinha você para me dizer que tudo ia ficar bem.
Eu me lembro do dia em que você descobriu coisas sobre o seu pai, quando você descobriu como ele morreu anos atrás. Você me ligou à noite aos prantos e meu coração ficou apertado. Apertado por não poder te ver, apertado pela sua dor, apertado por não poder ter te abraçado naquele momento tão delicado. Mas eu estive lá de alguma forma, porque eu te amo. E eu estaria lá para sempre, enquanto você precisasse de mim.
Então você começou na nova escola e me ligava frequentemente para me contar como foi o seu dia, e eu adorava saber que você não tinha me esquecido, adorava saber como você estava se saindo num lugar novo. Nada havia mudado. Eu ainda te ligava aos prantos, achando que nada nunca ia ficar bem e você se culpava por não poder estar presente. Nada daquilo foi culpa sua, e eu sabia disso.
O tempo passou, as coisas mudaram, mas ainda mantivemos contato, nossa amizade era forte. Sempre que eu te visitava era um alívio para a minha alma, e uma dor corria por todo o meu corpo todas as vezes em que tivemos que nos despedir.
Mas você mudou, eu mudei, temos visões diferentes agora, gostos diferentes, e isso não deveria ser motivo para acabar a amizade, mas eu não te reconheço mais. Eu ainda te amo, muito. Desde a última vez em que nos vimos eu percebi que tem algo muito errado, você não olhava mais nos meus olhos, não conversamos mais, pareceu que você nem sentiu a minha falta como eu sinto a sua. Desde o momento em que nos despedimos naquele dia eu soube que seria a última vez.
Hoje, querida melhor amiga, tudo que eu desejo é que você seja forte, que se ame como eu te amo e que nunca se esqueça que existe alguém aqui que, mesmo distante, sempre vai te amar, torcer pelo seu sucesso e estar disposta a te ajudar em qualquer coisa.
Como eu mesma disse recentemente e você pareceu ignorar, isso não é um adeus definitivo, não para mim. Isso é um "Até logo!". Porque eu espero te encontrar, num futuro não muito distante, com aquele antigo brilho no olhar, sorrindo verdadeiramente, e espero do fundo do meu nauseado ser que você sinta a minha falta, porque eu já sinto a sua.
Até logo!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Minha fraqueza


Acho que descobri o que me deixa assim, tão sensível a tudo. Sabe, eu costumava ser livre, forte, independente, até que um dia eu o conheci, algo chamado amor. E até então eu desconhecia o poder desse sentimento, mas não importava, porque ele me fez feliz, mas acabou partindo meu coração. O amor havia se tornado minha maior fraqueza. Desde aquele dia, saber que alguém me ama além dos meus problemas, das minhas manias e dos meus erros, me faz sentir tão fraca, impotente. O amor me deixa assim, mexe comigo, me deixa sensível, mas isso deveria ser uma coisa boa...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Irrevogavelmente apaixonada



Hoje me encontrei pensando em você. Eu estava tão imersa em minhas lembranças que pude sentir seu cheiro, aquele aroma familiar e inconfundivelmente doce ao meu olfato inundou-me com uma forte sensação de alívio e conforto. Os minutos se passaram e o cheiro de seu perfume se intensificou de forma indescritível, me deixando completamente entorpecida. Foi então que percebi que eu estava irrevogavelmente e incondicionalmente apaixonada por você. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Não foi o suficiente



Fiz o melhor que pude, me doei por inteira, me dediquei, amei mais que a mim, mas não foi o suficiente. Nunca é.  

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Incerteza

Suas expressões, tanto faciais quanto corporais, são um enigma para mim. Suas palavras hora doces, hora duras, me deixam dúvidas permanentes - e sem respostas - que martelam em minha mente de forma constante e perturbadora. Não consigo identificar o significado de seus sorrisos que surgem de repente, como um lampejo de esperança no meu interior descrente, sem falar nos olhares que intercepto, tão enigmáticos, analisando-me de forma constrangedora. Sei que já existe outra em meu lugar, mas - mesmo consciente de que eu possa estar me iludindo-, às vezes tenho a impressão de que ainda me quer.
Seus olhares, as conversas e os abraços inesperados me deixam esperançosa, feliz, mesmo que só por um momento. Quando estou contigo o tempo parece dar uma trégua e conspirar para que, mesmo que limitadamente, possamos compartilhar algum momento juntos, podendo este ser o último. Os telefonemas que me faz durante a aula apenas com a finalidade de me perturbar o juízo, que me pegam de surpresa e me arrancam sorrisos bobos, me fazem chegar à conclusão de que você estava pensando em mim em algum momento, isso é bom. Só o fato de imaginar que em algum minuto do dia você lembrou de mim, pensou ou apenas sorriu por minha causa, me faz querer pular e gritar de alegria. Você não imagina o tamanho do meu amor. Amor incondicional, amor sem reservas, amor que cuida, amor egoísta, ou apenas amor.
De qualquer forma, sei que quando a noite chega e se deita em sua cama, é nela que você pensa, é com ela que você sonha. Mas só de pensar que eu posso ter sido a razão para um sorriso seu, já faz valer todo o sacrifício de tê-los visto juntos.








Dedicado àquele que eu não deixei de amar desde o primeiro momento.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Incômodo constante



Não foi a primeira vez, que eu enxerguei o fim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Não me importo


Eu estou sangrando novamente, a dor não é sobre o meu corte. Meu coração está tão quebrado quanto minha mente. Eu não sei o que é real, mas estou com muito medo de descobrir. Eu não me importo mais com o que você pode dizer, com o que qualquer um possa dizer. Estou sozinha. Estou derrotada, fracassada e vazia. Ninguém pode me proteger, todos eles desistiram de mim e eu desisti também. Eu não me importo mais...



*traduzido de Hello Depression

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Suposta carta de despedida: Kurt Cobain


Para Boddah(Amigo imaginário que Kurt tinha quando era pequeno)

"Falando da língua de um simplório experiente que obviamente preferiria ser um eliminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.

Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde a minha primeira introdução a, digamos assim, éticas envolvendo independência a aceitação de sua comunidade provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não tenho sentido a excitação de ouvir ou fazer música, bem como ao ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras.

Por exemplo quando estou atrás do palco e as luzes apagam e o ruído maníaco da multidão começa, não me afeta do jeito que afetava Freddy Merucury que costumava amar, se deliciar com a adoração da multidão que é algo que eu totalmente admiro e invejo. O fato é que eu não posso fazer você de tolo, nenhum de vocês, posso enganar. Simplesmente não é justo a você ou para mim. O pior crime do que eu posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo como se eu estivesse me divertindo 100%.

Às vezes eu acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Eu tentei tudo dentro de meu alcance para gostar disso(e eu gosto, Deus, acredite em mim eu gosto, mas não foi o suficiente). Eu aprecio o fato de que eu e nós atingimos e divertimos muitas pessoas. Eu devo ser um desses narcisistas que só dão valor as coisas quando elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.

Nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas eu ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que eu tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, o sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei!

Eu tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me recordam muito do que eu era, cheio de amor e alegria, beijando toda pessoa que ela encontra porque todo o mundo é bom e não a fará nenhum dano. E isso me apavora ao ponto de eu mal conseguir funcionar. Eu não posso ficar com a idéia de Frances se tornar o triste, o autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. Eu tive muito, muito mesmo, e eu sou grato por isso, mas desde os sete anos , passei a ter ódio de todos os todos os humanos em geral. Apenas por que eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho.

Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais a paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos.
Paz, Amor, Empatia.

Kurt Cobain

Frances e Courtney, eu estarei em seu altar.
Por favor vá em frente Courtney, por Frances.
Por sua vida, que vai ser mais feliz sem mim.
EU TE AMO, EU TE AMO!


-


A carta.

Fonte: Assustador.com

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quebrada


Sinto que me perco aos poucos. Sinto que já não me sinto mais. Só resta uma única coisa aqui dentro capaz de me resgatar desse tormento. Mas no fim, já é tarde demais.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O tempo não cura


Todo mundo diz que a dor vai ficar menor com o passar do tempo, mas eu não acredito neles. Eu acho que eles só dizem isso para que você possa enfrentar de sair da cama todos os dias. Você acha que hoje pode ser o dia, mas nunca é.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Indecisão


Ultimamente a solidão, para mim, tem se tornado algo tão atraente que o isolamento tornou-se rotina. O silêncio me agrada e o fato de não ter ninguém por perto me conforta. Conviver em sociedade é praticamente impossível e me esforço o máximo que posso para me manter trancada, ou longe de todos. Mas, ao mesmo tempo, tenho a impressão de que ficar sozinha constantemente é o principal motivo da guerra que travei contra mim mesma.
Não consigo me decidir se minha opção de (sobre)vida me faz bem ou mal, apenas aprecio a quietude e lavo-me com lágrimas quando a solidão machuca.
Encontro conforto e meio-termo na chuva. A chuva que cai lá fora traz de volta uma ponta de esperança, paz interior. As gotas que se formam em minha janela retratam uma infinidade de possibilidades que evaporam com os raios do Sol pela manhã, quando não vejo razão aparente para abrir meus olhos e encarar o que vem pela frente.
Talvez essa indecisão seja apenas fruto da depressão que me consome... De qualquer forma eu aprendi a lidar com isso a partir do momento em que decidi que não quero mais lutar contra nada. Não quero cura, nem resposta. Quero apenas partir, deixar tudo isso para trás e quem sabe um dia retornar para viver uma vida normal.

A sua partida



Foi um ano difícil para mim. Minha vida foi devastada cruelmente por uma tristeza infindável que se apossou de todos os meus sentidos, e foi quando você chegou e secou minhas lágrimas, levou embora meus medos e lutou quando foi necessário. Tornei-me dependente do seu apoio e do seu carinho, você costumava me encher de esperança quando para mim o mundo não fazia mais sentido, e como uma irmã você me amou. Agora me restam apenas lembranças do que um dia foi a base de minha sobrevivência.
Eu assisti a sua partida sem reclamar, apenas deixando que minhas lágrimas lavassem meu rosto como um protesto silencioso. Foi duro. E até hoje meus olhos me traem ao lembrar do quão feliz sua presença me fazia, agora o lugar que um dia por você foi ocupado jaz vazio.
Sei que não foi embora por conta própria, mas minha mente teimosa insiste em sentir raiva por estar sozinha, sem você para me acalmar. Eu tentei ao máximo dizer a mim mesma que a distância que nos separa não é mais forte, mas a quem quero enganar? Uma amizade só resiste ao tempo e à distância quando já nasceu nessas condições.
Dias, semanas, meses e anos passarão e com eles deixaremos todas as memórias do que um dia fora uma amizade. E, se o destino permitir, nos encontraremos num futuro distante pela rua e talvez nem sequer reconheceremos uma a outra, só espero que no fundo jamais se esqueça de mim. Eu que sempre precisei de você, do seu carinho, da sua força.
Agora tento suportar a dor da solidão e a tristeza de saber que em breve se esquecerá de mim.

Mas caso me perguntassem se te quero de volta eu responderia: "Não". Por que não? Porque eu não aguentaria ter de ter ver partir novamente, já sofri demais, já passei por muita tortura. Amizade para mim vale muito mais que qualquer paixão, consequentemente acaba doendo muito mais quando há um fim. Então se tiver que partir e me esquecer, faça isso logo. Vá, e não retorne. Faço questão de ser a primeira a te dizer adeus, porque é mais fácil que doa tudo de uma vez do que me torturar em pequenas doses.
Tenho raiva, mas não de você. Tenho raiva de mim por ter sido tão dependente de você.
Agora vá em frente, siga o seu caminho. Que eu... vou ver se ainda há esperanças...

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase


- Daquela que um dia viu em você uma base de sobrevivência


*Dedicado a Giovana Caxias

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A fingida


No fim de tudo acredito que todos já desistiram de mim, e deve ter sido por isso que voltei àquela antiga gaveta de fingimento e mentiras e retirei minha antiga máscara. Porque mesmo que eu goste da solidão, saber que ninguém mais se importa se estarei viva, ou não, no dia seguinte é uma das piores sensações existentes. Então optei por fingir. Fingir que estou bem, fingir alegria, fingir que não sinto mais prazer na dor, fingir que não penso todas as noites que somente a morte é a solução. Fingir.
Encontramo-nos na rua e exibi o meu melhor sorriso e empolgação intacta. Pude ouvir os comentários "Como ela mudou, nem parece a mesma sociopata suicida de semanas atrás" e senti-me satisfeita por minha atuação perfeita que convenceu àqueles que não sabem identificar a depressão em meu olhar.
Contentem-se com esta mentira. Parece que a verdade não agrada a esta sociedade ridícula e preconceituosa, então entrei no jogo. Minto para vocês, daí passam a me aceitar. Patético.
Mas não os culpo por tudo, o fato de que ninguém mais pode me ajudar a superar meu problema também foi um fator influente na minha decisão de recorrer a máscaras. Se eu não pude salvar a mim mesma, nenhum psiquiatra ou anti depressivo o fará por mim.
Olhem para mim e apreciem meu dom de atuar, mas não confiem tanto. Sei fingir muito bem.

(Sobre)viver


Eu não sei mais falar de amor desde que minha vida se resumiu em manter-me viva até o dia seguinte. Até os dias mais belos e ensolarados para mim não passam de apenas horas maçantes e sem fim, o céu me parece nublado e a vida lá fora não faz mais sentido. Meu quarto tornou-se meu refúgio e não faço questão alguma de abandoná-lo. Ficar sozinha tem sido o meu maior desejo e minha maior ameaça.
Ao mesmo tempo que a solidão me é atraente e gostosa de apreciar, é perigosa, pois trás a tona todos os meus medos, fracassos, derrotas e tristezas. São esses momentos que proporcionam perfeitamente o ambiente para que eu acabe de uma vez com o meu único sofrimento que ultimamente tem sido viver. Não viver, mas sim sobreviver. Eu deixei este corpo faz tempo, ele apenas sobrevive aos tortuosos dias que se arrastam. Estou quebrada, é meu fim. Só eu posso me reeguer, e tento fazê-lo a cada manhã, mas não é tão fácil quanto parece.
Voltei a sustentar aquela antiga máscara de menina sociável e alegre apenas com a finalidade de fazer com que as pessoas que convivem próximas a mim parem de sofrer uma dor que pertence unicamente a mim. E esta sou eu, não vivendo, apenas sobrevivendo aos dias de chuva, de calor, e as constantes tempestades que insistem em cair sobre mim.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cansada


Simplesmente cansei.
Sabe eu estou cansada de reclamar, cansada de esbravejar contra o vento sem obter respostas, hoje eu decidi parar de reclamar e começar a agir. Mudar radicalmente. Independente se alguém se importa ou não resolvi colocar na minha cabeça que não preciso deles para ser feliz, se me querem bem ou não eu não ligo, que se fodam. A vida é uma só e não pretendo continuar perdendo tempo lamentando meus erros e frustrações.
Hoje eu quero ser diferente. Quero sair na rua e sorrir para todos, sentir o vento jogar meus cabelos para trás, ver pessoas diferentes e observar a dinâmica da vida fora do meu círculo deprimente. Quero arriscar tudo, quero gritar para o mundo, quero pular de alegria e chorar de felicidade. E não tente me dizer o que eu deveria fazer, porque é exatamente agora que não vou te ouvir. Estou bem, estou ótima, só quero enlouquecer e jogar tudo para o alto.
Vou começar aceitando meus próprios erros, porque nós não precisamos fazer tudo certo o tempo todo, além de desgastante é chato. Depois vou parar de correr e me esconder dos problemas e começar a encará-los de frente. Uma vez me disseram que só se acaba com um problema resolvendo-o, o que obviamente faz muito sentido e é verdade.
Viverei minha vida sem mais lamentações prolongadas, e apenas aproveitar um dia bonito ou um pedaço de chocolate. Vou ficar de cabeça pra baixo e rir de como tudo parece mais engraçado e diferente visto de outro ângulo.

Os cortes


Nunca fui muito chegada a dor, mas ultimamente tenho tido tendências ao masoquismo.
Uma garota que sempre foi alegre e que, por mais derrotada estivesse, sempre sustentava um sorriso no rosto não aguentou a vergonha, a tristeza e a pressão e tornou-se uma louca depressiva e masoquista. É triste ver as marcas deixadas por seu novo ponto de vista da vida, um ponto de vista que determina a dor como saída para a satisfação e prazer. Desconta sua raiva e frustração em si mesma mostrando-se fraca, inútil, um ser completamente digno de pena, coisas que ela sempre classificou como repugnantes.
Ela se destrói e se reduz ao nada, e todos têm de se contentar em apenas observar a sua triste queda e o que representam seus cortes.

domingo, 14 de novembro de 2010

Perdida


Eu costumava ser tão inteligente, esperta. Costumava me conhecer tão bem. De repente sinto que estou desmoronando, minhas bases não sustentam mais o peso sobre meus ombros, meu mundo está cedendo e não consigo evitar a sensação de impotência por não haver nada que eu possa fazer.
Recordo os momentos de felicidade, sorrisos. Tudo o que eu costumava ser agora não passa de uma lembrança distante, turva e dolorosa. Agora me encontro perdida em um profundo vazio que destrói aos poucos qualquer vestígio sentimental, deixando-me ao relento, jogada num canto pensando em tudo o que eu podia ter feito para não errar com as pessoas, ser uma boa filha e uma adolescente normal. Estou colidindo comigo mesma.
Sinto falta das velhas palavras de conforto das quais eu tanto necessitei a vida toda. Eu queria ter sido forte e segura para apoiar aqueles que tanto me ajudaram, mas eu insisto estupidamente em precisar mais do que ter a capacidade de ajudar.
Perdida dentro de mim tento encontrar um motivo real que me faça querer voltar a viver, mas é tudo em vão.

Sóbria


Tive uma noite péssima, a pior que se pode imaginar. Aquelas caixas de som no volume máximo, as bebidas de fácil acesso. Tudo parecia tão atraente aos meus olhos. Havia decidido que não me entregaria à bebedeira, mas me senti tão livre que resolvi avançar um pouco mais.
Quando dei por mim havia bebido demais e sentia meu mundo rodando. Fui atingida por um súbito enjôo que me levou direto a pia do banheiro, onde despejei brutalmente tudo o que estava me causando aquele mal-estar. Eu podia sentir as mãos dela segurando meus cabelos enquanto eu terminava aquela cena digna de pena. Senti uma dor profunda quando meu sub-consciente tomou conta do meu ser, me obrigando a me desculpar por todos os meus erros. Eu precisava de carinho, do conforto de um abraço amigo e sincero, da paz de um perdão. E sobretudo, eu precisava recuperar aquela amizade. Ele.
Comecei a despejar milhares de pedidos de desculpas. Ele parecia me olhar incrédulo, mas eu não sabia se estava me perdoando, se sentia repulsa ou se ria de mim - pois não me lembro de ter olhado em seus olhos. Quando me dei conta da cena bizarra, a qual eu estava protagonizando, quis morrer, fugir, me esconder para sempre. Comecei a sentir pena de mim, mas eu não sairia dali antes que ele me desse o perdão pelo qual eu tanto ansiava.
Sentei-me e derramei-me em lágrimas. Sentia um misto de dor, angústia, solidão e pena que me consumia internamente. E haviam tantos a minha volta que quase não pude distinguir os que me queriam bem, dos que apenas queriam presenciar a minha decadência, e acabei por acolher a todos. Senti-me a criatura mais miserável do planeta ao constatar meu estado deplorável.
Voltando para casa senti me protegida nos braços daquela que cuidou de mim, que se preocupou, que me amparou. Amiga. Mas eu sabia que os braços daquele amigo, o qual eu tanto queria de volta, eu jamais teria novamente. Adentrei o portão de casa e minha mãe notou meu triste estado: olhos marejados, cheirando a vômito e bebida, e totalmente sem noção de equilíbrio ou direção. Menti dizendo que estava com dores de cabeça e ela me forçou a comer algo. Vomitei. Ela me obrigou a dizer a verdade e me colocou em baixo d'água fria, e despejou um sermão que eu mal pude assimilar. Deitei e dormi.
Acordei e finalmente tive a capacidade de pesar os acontecimentos da noite anterior. Chorei. E então percebi que seria a piada do ano. Eu me resumi ao pó, um lixo, um nada. Quebrei um copo e fiz cortes em meu braço esquerdo na estúpida tentativa, em vão, de desviar a dor. Eu já podia sentir os olhares zombeteiros em mim. Quis morrer ou fugir e nunca mais voltar tamanha era a vergonha que me consumia.
A história da minha vida. Perdi um amigo, fiquei bêbada, decepcionei minha mãe e virei uma vergonha em forma de depressão.