domingo, 23 de janeiro de 2011

O tempo não cura


Todo mundo diz que a dor vai ficar menor com o passar do tempo, mas eu não acredito neles. Eu acho que eles só dizem isso para que você possa enfrentar de sair da cama todos os dias. Você acha que hoje pode ser o dia, mas nunca é.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Indecisão


Ultimamente a solidão, para mim, tem se tornado algo tão atraente que o isolamento tornou-se rotina. O silêncio me agrada e o fato de não ter ninguém por perto me conforta. Conviver em sociedade é praticamente impossível e me esforço o máximo que posso para me manter trancada, ou longe de todos. Mas, ao mesmo tempo, tenho a impressão de que ficar sozinha constantemente é o principal motivo da guerra que travei contra mim mesma.
Não consigo me decidir se minha opção de (sobre)vida me faz bem ou mal, apenas aprecio a quietude e lavo-me com lágrimas quando a solidão machuca.
Encontro conforto e meio-termo na chuva. A chuva que cai lá fora traz de volta uma ponta de esperança, paz interior. As gotas que se formam em minha janela retratam uma infinidade de possibilidades que evaporam com os raios do Sol pela manhã, quando não vejo razão aparente para abrir meus olhos e encarar o que vem pela frente.
Talvez essa indecisão seja apenas fruto da depressão que me consome... De qualquer forma eu aprendi a lidar com isso a partir do momento em que decidi que não quero mais lutar contra nada. Não quero cura, nem resposta. Quero apenas partir, deixar tudo isso para trás e quem sabe um dia retornar para viver uma vida normal.

A sua partida



Foi um ano difícil para mim. Minha vida foi devastada cruelmente por uma tristeza infindável que se apossou de todos os meus sentidos, e foi quando você chegou e secou minhas lágrimas, levou embora meus medos e lutou quando foi necessário. Tornei-me dependente do seu apoio e do seu carinho, você costumava me encher de esperança quando para mim o mundo não fazia mais sentido, e como uma irmã você me amou. Agora me restam apenas lembranças do que um dia foi a base de minha sobrevivência.
Eu assisti a sua partida sem reclamar, apenas deixando que minhas lágrimas lavassem meu rosto como um protesto silencioso. Foi duro. E até hoje meus olhos me traem ao lembrar do quão feliz sua presença me fazia, agora o lugar que um dia por você foi ocupado jaz vazio.
Sei que não foi embora por conta própria, mas minha mente teimosa insiste em sentir raiva por estar sozinha, sem você para me acalmar. Eu tentei ao máximo dizer a mim mesma que a distância que nos separa não é mais forte, mas a quem quero enganar? Uma amizade só resiste ao tempo e à distância quando já nasceu nessas condições.
Dias, semanas, meses e anos passarão e com eles deixaremos todas as memórias do que um dia fora uma amizade. E, se o destino permitir, nos encontraremos num futuro distante pela rua e talvez nem sequer reconheceremos uma a outra, só espero que no fundo jamais se esqueça de mim. Eu que sempre precisei de você, do seu carinho, da sua força.
Agora tento suportar a dor da solidão e a tristeza de saber que em breve se esquecerá de mim.

Mas caso me perguntassem se te quero de volta eu responderia: "Não". Por que não? Porque eu não aguentaria ter de ter ver partir novamente, já sofri demais, já passei por muita tortura. Amizade para mim vale muito mais que qualquer paixão, consequentemente acaba doendo muito mais quando há um fim. Então se tiver que partir e me esquecer, faça isso logo. Vá, e não retorne. Faço questão de ser a primeira a te dizer adeus, porque é mais fácil que doa tudo de uma vez do que me torturar em pequenas doses.
Tenho raiva, mas não de você. Tenho raiva de mim por ter sido tão dependente de você.
Agora vá em frente, siga o seu caminho. Que eu... vou ver se ainda há esperanças...

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase


- Daquela que um dia viu em você uma base de sobrevivência


*Dedicado a Giovana Caxias

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A fingida


No fim de tudo acredito que todos já desistiram de mim, e deve ter sido por isso que voltei àquela antiga gaveta de fingimento e mentiras e retirei minha antiga máscara. Porque mesmo que eu goste da solidão, saber que ninguém mais se importa se estarei viva, ou não, no dia seguinte é uma das piores sensações existentes. Então optei por fingir. Fingir que estou bem, fingir alegria, fingir que não sinto mais prazer na dor, fingir que não penso todas as noites que somente a morte é a solução. Fingir.
Encontramo-nos na rua e exibi o meu melhor sorriso e empolgação intacta. Pude ouvir os comentários "Como ela mudou, nem parece a mesma sociopata suicida de semanas atrás" e senti-me satisfeita por minha atuação perfeita que convenceu àqueles que não sabem identificar a depressão em meu olhar.
Contentem-se com esta mentira. Parece que a verdade não agrada a esta sociedade ridícula e preconceituosa, então entrei no jogo. Minto para vocês, daí passam a me aceitar. Patético.
Mas não os culpo por tudo, o fato de que ninguém mais pode me ajudar a superar meu problema também foi um fator influente na minha decisão de recorrer a máscaras. Se eu não pude salvar a mim mesma, nenhum psiquiatra ou anti depressivo o fará por mim.
Olhem para mim e apreciem meu dom de atuar, mas não confiem tanto. Sei fingir muito bem.

(Sobre)viver


Eu não sei mais falar de amor desde que minha vida se resumiu em manter-me viva até o dia seguinte. Até os dias mais belos e ensolarados para mim não passam de apenas horas maçantes e sem fim, o céu me parece nublado e a vida lá fora não faz mais sentido. Meu quarto tornou-se meu refúgio e não faço questão alguma de abandoná-lo. Ficar sozinha tem sido o meu maior desejo e minha maior ameaça.
Ao mesmo tempo que a solidão me é atraente e gostosa de apreciar, é perigosa, pois trás a tona todos os meus medos, fracassos, derrotas e tristezas. São esses momentos que proporcionam perfeitamente o ambiente para que eu acabe de uma vez com o meu único sofrimento que ultimamente tem sido viver. Não viver, mas sim sobreviver. Eu deixei este corpo faz tempo, ele apenas sobrevive aos tortuosos dias que se arrastam. Estou quebrada, é meu fim. Só eu posso me reeguer, e tento fazê-lo a cada manhã, mas não é tão fácil quanto parece.
Voltei a sustentar aquela antiga máscara de menina sociável e alegre apenas com a finalidade de fazer com que as pessoas que convivem próximas a mim parem de sofrer uma dor que pertence unicamente a mim. E esta sou eu, não vivendo, apenas sobrevivendo aos dias de chuva, de calor, e as constantes tempestades que insistem em cair sobre mim.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cansada


Simplesmente cansei.
Sabe eu estou cansada de reclamar, cansada de esbravejar contra o vento sem obter respostas, hoje eu decidi parar de reclamar e começar a agir. Mudar radicalmente. Independente se alguém se importa ou não resolvi colocar na minha cabeça que não preciso deles para ser feliz, se me querem bem ou não eu não ligo, que se fodam. A vida é uma só e não pretendo continuar perdendo tempo lamentando meus erros e frustrações.
Hoje eu quero ser diferente. Quero sair na rua e sorrir para todos, sentir o vento jogar meus cabelos para trás, ver pessoas diferentes e observar a dinâmica da vida fora do meu círculo deprimente. Quero arriscar tudo, quero gritar para o mundo, quero pular de alegria e chorar de felicidade. E não tente me dizer o que eu deveria fazer, porque é exatamente agora que não vou te ouvir. Estou bem, estou ótima, só quero enlouquecer e jogar tudo para o alto.
Vou começar aceitando meus próprios erros, porque nós não precisamos fazer tudo certo o tempo todo, além de desgastante é chato. Depois vou parar de correr e me esconder dos problemas e começar a encará-los de frente. Uma vez me disseram que só se acaba com um problema resolvendo-o, o que obviamente faz muito sentido e é verdade.
Viverei minha vida sem mais lamentações prolongadas, e apenas aproveitar um dia bonito ou um pedaço de chocolate. Vou ficar de cabeça pra baixo e rir de como tudo parece mais engraçado e diferente visto de outro ângulo.

Os cortes


Nunca fui muito chegada a dor, mas ultimamente tenho tido tendências ao masoquismo.
Uma garota que sempre foi alegre e que, por mais derrotada estivesse, sempre sustentava um sorriso no rosto não aguentou a vergonha, a tristeza e a pressão e tornou-se uma louca depressiva e masoquista. É triste ver as marcas deixadas por seu novo ponto de vista da vida, um ponto de vista que determina a dor como saída para a satisfação e prazer. Desconta sua raiva e frustração em si mesma mostrando-se fraca, inútil, um ser completamente digno de pena, coisas que ela sempre classificou como repugnantes.
Ela se destrói e se reduz ao nada, e todos têm de se contentar em apenas observar a sua triste queda e o que representam seus cortes.

domingo, 14 de novembro de 2010

Perdida


Eu costumava ser tão inteligente, esperta. Costumava me conhecer tão bem. De repente sinto que estou desmoronando, minhas bases não sustentam mais o peso sobre meus ombros, meu mundo está cedendo e não consigo evitar a sensação de impotência por não haver nada que eu possa fazer.
Recordo os momentos de felicidade, sorrisos. Tudo o que eu costumava ser agora não passa de uma lembrança distante, turva e dolorosa. Agora me encontro perdida em um profundo vazio que destrói aos poucos qualquer vestígio sentimental, deixando-me ao relento, jogada num canto pensando em tudo o que eu podia ter feito para não errar com as pessoas, ser uma boa filha e uma adolescente normal. Estou colidindo comigo mesma.
Sinto falta das velhas palavras de conforto das quais eu tanto necessitei a vida toda. Eu queria ter sido forte e segura para apoiar aqueles que tanto me ajudaram, mas eu insisto estupidamente em precisar mais do que ter a capacidade de ajudar.
Perdida dentro de mim tento encontrar um motivo real que me faça querer voltar a viver, mas é tudo em vão.

Sóbria


Tive uma noite péssima, a pior que se pode imaginar. Aquelas caixas de som no volume máximo, as bebidas de fácil acesso. Tudo parecia tão atraente aos meus olhos. Havia decidido que não me entregaria à bebedeira, mas me senti tão livre que resolvi avançar um pouco mais.
Quando dei por mim havia bebido demais e sentia meu mundo rodando. Fui atingida por um súbito enjôo que me levou direto a pia do banheiro, onde despejei brutalmente tudo o que estava me causando aquele mal-estar. Eu podia sentir as mãos dela segurando meus cabelos enquanto eu terminava aquela cena digna de pena. Senti uma dor profunda quando meu sub-consciente tomou conta do meu ser, me obrigando a me desculpar por todos os meus erros. Eu precisava de carinho, do conforto de um abraço amigo e sincero, da paz de um perdão. E sobretudo, eu precisava recuperar aquela amizade. Ele.
Comecei a despejar milhares de pedidos de desculpas. Ele parecia me olhar incrédulo, mas eu não sabia se estava me perdoando, se sentia repulsa ou se ria de mim - pois não me lembro de ter olhado em seus olhos. Quando me dei conta da cena bizarra, a qual eu estava protagonizando, quis morrer, fugir, me esconder para sempre. Comecei a sentir pena de mim, mas eu não sairia dali antes que ele me desse o perdão pelo qual eu tanto ansiava.
Sentei-me e derramei-me em lágrimas. Sentia um misto de dor, angústia, solidão e pena que me consumia internamente. E haviam tantos a minha volta que quase não pude distinguir os que me queriam bem, dos que apenas queriam presenciar a minha decadência, e acabei por acolher a todos. Senti-me a criatura mais miserável do planeta ao constatar meu estado deplorável.
Voltando para casa senti me protegida nos braços daquela que cuidou de mim, que se preocupou, que me amparou. Amiga. Mas eu sabia que os braços daquele amigo, o qual eu tanto queria de volta, eu jamais teria novamente. Adentrei o portão de casa e minha mãe notou meu triste estado: olhos marejados, cheirando a vômito e bebida, e totalmente sem noção de equilíbrio ou direção. Menti dizendo que estava com dores de cabeça e ela me forçou a comer algo. Vomitei. Ela me obrigou a dizer a verdade e me colocou em baixo d'água fria, e despejou um sermão que eu mal pude assimilar. Deitei e dormi.
Acordei e finalmente tive a capacidade de pesar os acontecimentos da noite anterior. Chorei. E então percebi que seria a piada do ano. Eu me resumi ao pó, um lixo, um nada. Quebrei um copo e fiz cortes em meu braço esquerdo na estúpida tentativa, em vão, de desviar a dor. Eu já podia sentir os olhares zombeteiros em mim. Quis morrer ou fugir e nunca mais voltar tamanha era a vergonha que me consumia.
A história da minha vida. Perdi um amigo, fiquei bêbada, decepcionei minha mãe e virei uma vergonha em forma de depressão.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Teimosia


E se um dia você resolver que não sou boa o suficiente, que não lhe valorizo ou que simplesmente não gosta mais de mim, gostaria que soubesse que, apesar de não demonstrar muito, sou uma eterna apaixonada pelo seu sorriso, e por isso, te deixarei partir e ser feliz - mesmo que não sorria mais ao meu lado.
Mesmo que não me ame, saiba que estarei sempre a espreita, apenas checando se está tudo bem, se precisa de ajuda ou de uma amiga. E se me mandar ir embora, disser que me odeia e que nunca mais quer me ver, continuarei ali de qualquer jeito. Sou teimosa, eu sei. O fato é que perder o seu amor já seria um castigo de dimensões indescritíveis, mas cortar todo e qualquer contato seria o fim. Não digo que não sei viver sem ti, pois sei, mas não sem sofrimento. Seria como apenas um corpo sem alma que vagaria sem rumo pela Terra tentando reencontrar uma razão para sorrir.
É sou uma teimosa.